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Preciso de cidadania italiana para comprar imóvel na Itália?

Não. Brasileiros podem comprar imóvel na Itália com passaporte e codice fiscale. O que a cidadania muda de verdade, o que ela não muda, e os três cadastros que você vai precisar.

Equipe Brasilità3 min de leitura
Telhados e colinas vistos de uma casa em Castagnole Monferrato, no Piemonte

Resposta curta: não. Qualquer brasileiro pode comprar um imóvel na Itália, com ou sem cidadania italiana, morando ou não no país.

A resposta longa explica por que isso funciona, o que a cidadania muda de fato e quais cadastros você precisa ter antes de assinar qualquer coisa.

Por que brasileiros podem comprar

A Itália permite que estrangeiros comprem imóveis quando existe reciprocidade: se o país do comprador permite que italianos comprem lá, a Itália permite o inverso. O Brasil não impõe restrições a estrangeiros na compra de imóveis urbanos, então a condição está cumprida. Cidadãos de países sem reciprocidade dependem de visto de residência para comprar. Brasileiros, não.

Isso vale para qualquer tipo de imóvel urbano: apartamento, casa, prédio inteiro, loja. Terrenos rurais têm regras próprias, mas não são o que a maioria procura.

O que você realmente precisa

Passaporte válido

É o seu documento de identidade na Itália. A carteira de identidade brasileira não serve.

Codice fiscale

O equivalente ao CPF. Sem ele não existe proposta, escritura, conta bancária nem contrato de luz. Ele é gratuito e você consegue de duas formas:

  • No Brasil, no consulado italiano da sua jurisdição. O prazo varia de consulado para consulado, de dias a semanas.
  • Na Itália, em qualquer agência da Agenzia delle Entrate, na hora, apresentando o passaporte.

Quem vai comprar por procuração precisa do codice fiscale antes de a procuração ser usada, então esse é o primeiro passo de qualquer planejamento.

Comprovação da origem do dinheiro

Não é um cadastro, mas é um documento. A legislação italiana contra lavagem de dinheiro exige que o notaio registre como cada pagamento foi feito, e o banco que recebe a transferência pode pedir a origem dos fundos. Extrato de venda de um imóvel no Brasil, declaração de imposto de renda ou comprovante de aplicação resolvem. Dinheiro em espécie não.

O que a cidadania muda

A cidadania italiana não é requisito, mas facilita três coisas:

  1. Conta bancária. Bancos italianos abrem conta para estrangeiros não residentes, mas o processo é mais lento e exige mais documentos. Com cidadania e SPID, a identidade digital italiana, abre-se conta em poucos dias, às vezes online.
  2. Serviços públicos digitais. O SPID dá acesso ao portal da Agenzia delle Entrate, ao cadastro do imóvel, ao pagamento de impostos. Sem ele, você depende de um intermediário ou de ir presencialmente.
  3. Residência. Cidadão da União Europeia pode fixar residência na Itália sem visto. Isso abre a possibilidade de comprar como prima casa, com imposto de registro de 2% em vez de 9%, desde que a residência seja transferida em até 18 meses.

Para quem compra como investimento e continua morando no Brasil, nada disso é impeditivo. Para quem planeja se mudar, a cidadania (ou um visto de residência) entra no planejamento por causa do terceiro ponto.

O que a cidadania não muda

  • Não dá desconto no imóvel. O preço é o mesmo.
  • Não muda o imposto anual. IMU e TARI são cobrados do proprietário, cidadão ou não.
  • Não é concedida pela compra. Comprar um imóvel não gera cidadania nem residência automática. A cidadania por descendência tem o seu próprio processo, e ele não passa pelo imóvel.

E o visto?

Para comprar, não precisa de visto. Brasileiros entram na Itália como turistas por até 90 dias a cada 180, e nesse período podem visitar, assinar proposta, abrir conta e fazer a escritura. Quem quer ficar mais do que isso precisa de um visto de residência, e aí sim o imóvel comprado ajuda, porque ter um endereço fixo é parte do pedido.

Um caso comum

Uma cliente descendente de italianos estava com o processo de cidadania em andamento e queria esperar o passaporte sair para comprar. Não precisava. Fez o codice fiscale no consulado, comprou por procuração, e quando a cidadania saiu já tinha o endereço na Itália para fixar a residência. Os dois processos correram em paralelo.

Se a sua dúvida é sobre a sua situação específica, fale com a nossa equipe. Já acompanhamos compradores com cidadania, sem cidadania, com o processo em andamento e com visto de trabalho. O caminho existe para todos eles.

Próximo passo

Quer aplicar isso a um imóvel de verdade?

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